Atravessar o Tejo é um direito, não um luxo

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Destinada a: Para: Exmo. Senhor Primeiro-Ministro, Exmo. Senhor Ministro das Infraestruturas, Exmos. Deputados da Assembleia da República,

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PETIÇÃO PÚBLICA CONTRA O AUMENTO DAS PORTAGENS NA PONTE 25 DE ABRIL

Exmo. Senhor Primeiro-Ministro,

Exmo. Senhor Ministro das Infraestruturas,

Exmos. Deputados da Assembleia da República,

Os cidadãos abaixo-assinados manifestam a sua veemente oposição ao aumento das portagens na Ponte 25 de Abril, considerando esta decisão injusta, discriminatória e profundamente penalizadora para os residentes da Margem Sul.

A Ponte 25 de Abril é uma infraestrutura absolutamente essencial para dezenas de milhares de trabalhadores, estudantes e famílias que diariamente necessitam de atravessar o Tejo para aceder a empregos, escolas, hospitais e serviços públicos. Para a Margem Sul, esta ponte não é uma opção — é uma necessidade vital.

  1. Falta de alternativas reais

Os residentes da Margem Sul não dispõem de alternativas viáveis.

A Ponte Vasco da Gama implica percursos mais longos, custos acrescidos, maior tempo perdido e um impacto ambiental significativo.

Os transportes públicos, por sua vez, são frequentemente insuficientes, sobrelotados e pouco fiáveis.

Na prática, a portagem da Ponte 25 de Abril funciona como um imposto obrigatório sobre quem vive do outro lado do Tejo.

  1. Pagamos mais para ficar parados

Apesar do elevado valor pago pelos utentes, a realidade diária é a seguinte:

Trânsito intenso durante quase todo o dia

Congestionamentos graves nas horas de ponta

Perda de horas de vida pessoal e familiar

Aumento de stress, poluição e desgaste dos veículos

Os cidadãos pagam cada vez mais para enfrentar piores condições de circulação.

  1. Um peso financeiro injusto

Atualmente, um utilizador de Classe 1 paga cerca de 45€ por mês apenas para atravessar a ponte em dias úteis.

Este montante representa um encargo significativo para milhares de famílias, num contexto de aumento do custo da habitação, dos combustíveis e do custo de vida.

Muitos residentes da Margem Sul escolheram viver onde vivem precisamente porque foram empurrados para fora de Lisboa pelos altos preços da habitação — e agora são punidos financeiramente por essa escolha.

  1. Uma desigualdade territorial inaceitável

No Porto existem seis pontes sobre o Douro, e nenhuma delas é paga.

Além disso, as SCUTs (como a CREP) estão a ser eliminadas para desviar o trânsito pesado da VCI e proteger a qualidade de vida dos residentes.

Na Área Metropolitana de Lisboa, ocorre o oposto:

os habitantes da Margem Sul são obrigados a pagar para entrar na capital, suportando tráfego, poluição e custos acrescidos, sem qualquer compensação.

Esta situação representa uma clara e injustificável discriminação territorial.

Por tudo isto, exigimos:

A suspensão imediata do aumento das portagens

A redução dos valores cobrados aos utilizadores frequentes

A criação de um regime especial para residentes e trabalhadores da Margem Sul

Um plano sério para melhorar a mobilidade na Área Metropolitana de Lisboa

A mobilidade é um direito fundamental.

A travessia do Tejo não pode continuar a ser uma barreira social nem uma fonte de receita à custa de quem trabalha.

A Margem Sul não é uma colónia fiscal de Lisboa.

Atravessar o Tejo é um direito, não um luxo