Contra o traçado proposto do Metropolitano de Superfície entre a Costa da Caparica e a Trafaria
Destinada a: Assembleia da República; Câmara Municipal de Almada; Assembleia Municipal de Almada; Administração do Porto de Lisboa; Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas; Junta de Freguesia da Costa de Caparica
Nós, cidadãos abaixo-assinados — residentes e comerciantes — expressamos a nossa profunda preocupação e oposição ao traçado previsto para a expansão do Metropolitano de Superfície entre a Costa da Caparica e a Trafaria.
Considerando que:
i. A Portaria n.º 410/2024/2, do Gabinete da Secretária de Estado do Orçamento e do Secretário de Estado da Mobilidade Urbana, estipula que o Metropolitano de Lisboa (ML):
- a) Por delegação do Estado, elabora todos os estudos necessários ao lançamento do procedimento para a contratação do prolongamento da rede do Metro do Sul do Tejo à Costa da Caparica;
- b) Está autorizado a desenvolver e contratualizar os referidos estudos num prazo de 30 meses.
ii. A 10 de fevereiro de 2025, o Governo da República Portuguesa, a Câmara Municipal de Almada e a Faculdade de Ciências e Tecnologia apresentaram o projeto “O Metro vai chegar à Costa da Caparica e à Trafaria”.
iii. Ambos os traçados propostos — “Traçado de Referência” e “Traçado em Estudo” — incluem entre 8 a 10 estações e cerca de 7 km de extensão, atravessando toda a Avenida Afonso de Albuquerque, na Costa da Caparica.
Considerando ainda que:
iv. A Costa da Caparica enfrenta graves problemas de erosão costeira, com redução das dunas e praias, mesmo após intervenções em 2007-2008 e 2019. Estudos como:
- Plano Metropolitano de Adaptação às Alterações Climáticas (2023),
- Erosão e Galgamentos na Costa Portuguesa (2019),
- Avaliação do Risco de Inundação da Zona da Costa da Caparica (2013)
evidenciam esses riscos.
v. Há falta de manutenção e equipamentos nas áreas residenciais: recolha de resíduos, espaços públicos, passeios, ciclovias, biblioteca, escola secundária, piscina e equipamentos desportivos.
Exposição:
- Um metropolitano de superfície é um sistema de transporte urbano sobre trilhos, comum em zonas urbanas densas.
- Em Portugal, apenas Porto, Almada e Lisboa têm metropolitanos de superfície. Coimbra e Braga optaram por “metrobus”.
- Populações: Lisboa (567 mil), Porto (249 mil), Almada (88 mil), Braga (201 mil), Coimbra (145 mil).
- Na Europa, metropolitanos de superfície existem em cidades com mais de 100 mil habitantes.
- Um metropolitano serve, por definição, metrópoles.
- A Costa da Caparica tem cerca de 14 mil habitantes — não justifica o investimento.
- Nenhuma cidade piscatória/balnear em Portugal tem metropolitano de superfície, mesmo cidades maiores como: Esposende, Espinho, Figueira da Foz, Peniche, Cascais, Vilamoura e Lagos.
- O custo de construção e manutenção é elevado, podendo não ser compensado pelo número de passageiros.
- Há alternativas mais económicas e flexíveis, como o reforço da rede de autocarros e criação de corredores BUS.
- O período de obras afetaria negativamente moradores, comerciantes e o turismo local.
- Impacto ambiental e visual negativo em zonas como a praia de São João e a mata adjacente.
- O projeto implica impermeabilização do solo, abate de árvores, ruído e degradação da qualidade de vida.
- O traçado gera ruído na falésia, abate de árvores na Av. Afonso de Albuquerque, reduz faixas de rodagem, dificulta o estacionamento e compromete a segurança local.
- Alternativas como autocarros ecológicos e metrobus garantem mobilidade com menor impacto.
- A Arriba Fóssil da Costa da Caparica, Paisagem Protegida desde 1984, deve ser preservada.
- Soluções como melhoria da rede de autocarros, modernização ferroviária e incentivo a transportes alternativos são mais sustentáveis.
- A prioridade deve ser a requalificação das infraestruturas e serviços essenciais na Costa da Caparica e Trafaria.
Requerimento
Os Signatários requerem:
A. Que o traçado do metropolitano de superfície Costa-Trafaria seja formalmente abandonado;
B. Que sejam estudadas alternativas de mobilidade mais sustentáveis, com menor impacto económico, social e ambiental, como:
- Reforço da rede de autocarros;
- Corredores BUS pendulares;
- Ciclovias;
- Melhor articulação com a Linha da Fertagus;
C. Que o investimento previsto seja redirecionado para as reais prioridades das freguesias, nomeadamente:
- Proteção e recuperação da orla costeira;
- Segurança de pessoas e património edificado;
- Serviços públicos essenciais;
- Potencialização do turismo local;
D. Que representantes dos signatários integrem os processos participativos, estudos e decisões futuras sobre a mobilidade na região.
Apelo final:
Solicitamos às entidades responsáveis que considerem estas preocupações com responsabilidade, bom senso e visão estratégica, salvaguardando o futuro da Costa da Caparica e da Trafaria enquanto património natural, social e turístico.