Acesso a Agonistas GLP-1 para Prevenção Cardiovascular
Destinada a: Exmº Presidente da República Portuguesa; Exmº Presidente da Assembleia da República; Exmº Senhor Primeiro Ministro; Exmº Senhor Ministro da Saúde
O acesso aos agonistas do recetor GLP-1 é crucial para a prevenção cardiovascular em pessoas com obesidade. A obesidade é uma doença crónica que aumenta significativamente o risco de doenças como diabetes tipo 2, enfarte do miocárdio, acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca em Portugal.
Estudos científicos demonstram que os agonistas GLP-1 promovem uma perda de peso clinicamente relevante, melhoram fatores de risco cardiovascular e diminuem eventos cardiovasculares. Estes benefícios são reconhecidos em pessoas com diabetes tipo 2 e também em indivíduos com obesidade sem diabetes, mas com doença cardiovascular estabelecida.
As recomendações internacionais atuais reconhecem os agonistas GLP-1 como uma terapia eficaz na redução do risco cardiovascular, independentemente da presença de diabetes, para pacientes selecionados. No entanto, o acesso a estes medicamentos em Portugal é limitado pela falta de comparticipação adequada e por restrições administrativas que não refletem a prática clínica baseada na evidência.
Por isso, solicitamos:
• A comparticipação dos agonistas GLP-1 para pessoas com obesidade e diabetes tipo 2 com alto risco ou doença cardiovascular. • A comparticipação dos agonistas GLP-1 para pessoas com obesidade sem diabetes, mas com doença cardiovascular estabelecida. • A eliminação de restrições à prescrição por especialidade, permitindo que cardiologistas possam prescrever estes medicamentos para prevenção cardiovascular, conforme as indicações estabelecidas. • Garantir acesso a terapias eficazes na redução de eventos cardiovasculares é uma medida essencial de saúde pública que protege os doentes, reduz hospitalizações e contribui para a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde.
Apelamos às autoridades de saúde para que alinhem as políticas de comparticipação e prescrição com as melhores evidências científicas disponíveis, priorizando sempre o bem-estar dos doentes nas decisões de saúde pública.